por Gustavo Jreige / 30 Out

Felipe Neto é o videologger mais popular do país e uma das pessoas mais famosas na internet brasileira no momento. Vencedor do VMB de WebStar há algumas semanas, o jovem de 22 anos conversou há pouco comigo, direto de sua casa – de onde acabei de chegar – no Rio de Janeiro. A conversa foi transmitida ao vivo via Twitcam, com o público mandando perguntas em tempo real. Foi uma entrevista assistida e, ao mesmo tempo, coletiva.

No final, claro, saímos do tema principal e ficamos batendo papo, com o Felipe falando sobre (quase) tudo que o público perguntava.

Veja abaixo (ou clique aqui):

Quer números? O papo durou mais de duas horas, chegamos a 4.800 pessoas assistindo simultaneamente (especialmente no começo) e quase 2 mil interações no Twitcam.

Isso com a Twitcam começando depois das 22h30, quando o repórter conseguiu vencer um taxista perdido pelo Rio de Janeiro e chegar na casa do entrevistado…

Na semana que vem, a entrevista editada.

Update: Um monte de gente dizendo que não consegue assistir no post. Provavelmente o Twitcam não está permitindo o Embed. Então clique aqui para ver.

por Gustavo Jreige / 29 Out

São vários os critérios para definir quem é popular no Twitter. O mais simples deles é ver o número de seguidores. Os mais complexos medem a quantidade de interação e repercussão que cada usuário tem.

Para escolher os 5 twitteiros abaixo, não utilizamos critérios técnicos – afinal, são várias as ferramentas que o fazem, como o TwitterCounter e o TweetRank. A seguir, você conhece, em 140 caracteres, pessoas que se tornaram conhecidas através do Twitter ou que fizeram bom uso de sua fama na rede.

@marcelotas (1.014.030 seguidores)
Apresentador do CQC, posta links e opiniões. Foi o 1º a ter o Twitter patrocinado e já discutiu com gente como @huckluciano e @diogomainardi

@ocriador (546.480 seguidores)
O Twitter de Deus. Com sacadas divertidas, conquistou popularidade suficiente pra ganhar um programa de rádio na Mix e prêmios no Youpix.

@hugogloss (485.860 seguidores)
Fala sobre celebridades com irreverência – e virou amigo de várias delas. Seu “bom dia” é consagrado. Trabalha, agora, no Caldeirão do Huck.

@katylene (81.240 seguidores)
Fake de travesti, o blogueiro detona celebridades com um vocabulário próprio. Criador de gírias, virou programa da MTV e faz sucesso como DJ.

@cleycianne (74.220 seguidores)
Evangélica xiita, a personagem faz comentários surreais e divertidos, com expressões que viraram hit. Seu autor já foi entrevistado pelo Jô.

por Gustavo Jreige / 29 Out

Criar uma conta no Twitter pode parecer algo sem muita importância. Mas isso foi uma das coisas mais importantes que a publicitária Tessália Serighelli, 23 anos, fez em sua vida, transformando-a completamente. Tessália criou um perfil que ficou muito popular no serviço de micro-blog, resultado de uma polêmica quanto ao uso de scripts (mecanismos automatizados) para conseguir seguidores.

A repercussão trouxe entrevistas, campanhas publicitárias e mais exposição, aumentando sua fama. Mas famosa pra valer ela ficou quando entrou no Big Brother Brasil 10, o programa de maior audiência da TV brasileira, um fruto direto de sua popularidade (e personalidade) na rede. “Não sei como seria minha vida hoje sem ter criado a @twittess. Não faço idéia. Acho que estaria lavando copos na Indonésia, ou coisa parecida”, diverte-se, falando sobre a personagem que, por algum tempo, chegou a ter o Twitter mais seguido do país. Na entrevista abaixo, Tess (como é chamada pelos amigos), explica como tudo isso aconteceu, fala das diferenças entre a fama virtual e de massa e conta que, hoje, presidentes de banco e vendedores de coco gostam dela.

Gustavo: Como você chegou ao Twitter? Como seria sua vida sem ter, um dia, decidido se cadastrar nessa rede?
Tessália: Me cadastrei no Twitter por acaso, como você se cadastra numa rede social qualquer, dessas que você entra e não volta mais. Entrei e não entendi muito. Fiquei um tempo sem entrar novamente, e só no fim de 2008 comecei a brincar de verdade. Nunca pensei em ter fama ou sucesso na rede, foi acontecendo aos poucos. A brincadeira foi ficando boa, eu fui continuando. Não sei como seria minha vida hoje sem ter criado a @twittess. Não faço idéia. Acho que estaria lavando copos na Indonésia, ou coisa parecida. (risos)

G: Por que você acha que ficou famosa no Twitter? A polêmica com scripts ajudou, não?
T: Teve uma época em que rolou uma explosão de aplicativos para Twitter. Zilhares. O script era um desses. Naquela época, eu usava tudo, experimentava os apps para contar pros meus seguidores e, como não poderia deixar de ser, experimentei o script também [com ele, Tessália passou a seguir milhares de perfis, que acabavam se interessando por seu perfil e seguiam de volta, gerando vários followers para a moça]. Acho que o script é como um E-mail marketing. É um convite pra ser seguido de volta, mas não é obrigatório. Você só consegue reter um numero significativo de seguidores se o seu conteúdo for condizente com o que o público espera do seu perfil. Quando criei a @twittess, ficava 14 horas por dia pesquisando links e atualizando a conta. Tudo sozinha.

G: O que mudou quando você deixou de ser a Twittess e virou a Tessália do BBB? Em que momento você julga que houve essa transição?
T: A transição aconteceu sem eu perceber, porque estava confinada na casa do BBB quando fiquei famosa. No espaço de um mês, passei de garota da internet para garota do reality show. Consigo perceber a mudança no meu público no Twitter hoje em dia. Antes, quem me seguia era um pessoal mais focado no próprio mundo da internet, que queria saber sobre dados de mídias sociais, novos gadgets, mundo geek. Depois do BBB, meu público quer saber da vida dos famosos e… da minha! (risos)

G: Sendo honesto, você sempre foi uma personagem polêmica – tanto como Twittess quanto como Tessália (no BBB, Tess teve um relacionamento com outro BBB e protagonizou uma cena que muitos julgaram como sendo de sexo oral). É uma tática? Como você lida com isso quando tanta gente pode te questionar diretamente pelo Twitter?
T: Sempre tive stalkers de peso. (risos) Antes eram os pro-bloggers, indignados com o uso de script, depois era a Preta Gil, indignada que eu não fazia o que a Lia queria no programa. (risos) Nunca liguei, na verdade. Pra nada. A vida toda. Eu faço o que quero, sempre tem alguém que gosta. Não posso agradar a todo mundo. Mas a long tail está aí pra isso.

G: Na tua opinião, há alguma diferença entre a fama na internet e a fama nos meios mainstream (tirando a quantidade de fãs do ídolo)?
T: Sim. A segmentação na internet é bem mais visível. Os fãs da personagem [Tessália trata a Twitess como personagem] têm gostos muito mais em comum do que os fãs da Tessalia ex-BBB. No mainstream, o vendedor de coco e o presidente do banco gostam de você.

G: E quais são seus próximos passos profissionais? O que tem em vista?
T: Hoje toco como DJ e aproveito os resquícios da vida de ex-BBB. Gosto de trabalhar na internet, e continuo com meus perfis no Twitter enquanto eles estiverem em alta. Talvez faça algo para TV, apresentar um programa, algo assim. Hoje existem muitas possibilidades, mas eu gosto de viver um dia de cada vez.

por Gustavo Jreige / 29 Out

Os brasileiros são os internautas que mais acessam redes sociais no mundo. A principal rede daqui é o Orkut, mas é o Twitter – segunda rede mais popular, acessada por 23% dos internautas brasileiros, o país com maior usuários no Twitter – que vem chamando a atenção da imprensa e dos internautas desde o ano passado. Nela, as pessoas podem enviar mensagens de até 140 toques e “seguir” (acompanhar as atualizações) quem desejar.

O serviço de micro-blog teve seu boom no país em 2009 e um dos principais fatores é a adesão de grandes celebridades e a repercussão na mídia de massa. Programas como o Fantástico, da Rede Globo, além de fazerem reportagem sobre o Twitter, criaram uma conta nele – atualmente, o perfil já passa de um milhão e meio de seguidores.

Lady Gaga é a famosa mais popular do Twitter no mundo, com quase 7 milhões de seguidores. No Brasil, esse posto é de Luciano Huck (2,48 milhões de seguidores) – que, no começo, fazia sorteio de prêmios para conquistar audiência -, seguido por Kaká (2,25 mi), Mano Menezes (1,7 mi) e Ivete Sangalo (1,65 mi). Na maior parte dos casos, são os próprios famoso que twittam, falando de assuntos mais íntimos, postando fotos e mostrando lados que o público não conhecia, como aconteceu com William Bonner, sério no jornal, mas brincalhão no Twitter.

O caso mais conhecido de celebridade brasileira no Twitter é de Xuxa. A apresentadora teve desentendimentos com seus seguidores que tiravam sarro de um erro de português cometido por sua filha, Sasha, no perfil da mãe. A solução? Sair do Twitter, com uma mensagem que se tornou bastante famosa: “fui vcs não merecem falar comigo nem com meu anjo (sic)”.

O contato entre celebridades e fãs acontece de forma mais direta do que o convencional. “Toda celebridade representa diante dos fãs, não importa se em contato direto, pessoal, ou de forma mediada, pela televisão ou pelo Twitter”, acredita Maurício Stycer, repórter e crítico do portal UOL. Para ele, não há diferença entre os meios. “Não vejo diferença entre pedir um autógrafo pessoalmente para a Claudia Raia e ler uma entrevista dela no jornal. Ou, em poder ver a melancia da Mulher Melancia ao vivo ou na ‘Fazenda’.

Phelipe Cruz, blogueiro e editor do site da Capricho, acredita que o problema das celebridades é mais técnico do que de comportamento. “Elas nunca tiveram a chance de falar abertamente com o público, sem um assessor, e as perguntas que vem no Twitter não são iguais às que os jornalistas fazem. Por isso, essas celebridades são treinadas pelos assessores. Tenho certeza de que a Xuxa foi alertada que aquilo ali não era um caminho bom, e ela teve que sair do Twitter porque não aguentou. Ela deve ter sido alertada: ‘se você fizer isso, o pessoal não perdoa’”, acredita. “Mas o que acontece é que o artista às vezes não sabe usar a ferramenta, não tem familiaridade com ela, e acaba postando coisas erradas. É coisa de tecnologia, mesmo, é diferente das celebridades do Twitter, já acostumadas com esse meio. No fim, elas se confundem, mas aprendem.”

As celebridades do Twitter, às vezes, sequer existem de verdade. Alguns perfis muito conhecidos são paródias – ou fakes, como se fala na rede. Também fazem sucesso os demais famosos virtuais, como o Felipe Neto.

Poucos são os usuários reais que se destacaram pelo seu comportamento no próprio micro-blog – caso da Twittess, twitteira bastante conhecida que virou participante do Big Brother Brasil 10. Ainda hoje você confere uma entrevista com ela aqui no blog.

Mas… quem se dá melhor, famosos “nativos” ou vindos da grande mídia? “Acho que se dá melhor, ou seja, alimenta e desenvolve a própria fama, aquele capaz de construir o melhor personagem”, diz Stycer. Ou seja, independe da origem da fama. “Mas, para isso, é preciso intuição, carisma e boa dose de sagacidade para entender o que o mercado (o público) quer consumir”, completa.

por Gustavo Jreige / 28 Out

O carioca Felipe Neto nunca foi do tipo amador. Ele já capitalizava o conteúdo que produzia no blog Controle Remoto e, anteriormente, em um site sobre séries de TV. Mas mesmo assim, ele afirma que não foi pensando no dinheiro ou na fama que resolveu gravar seu primeiro videolog, o Não Faz Sentido. Foi um experimento, como costuma dizer.

Amadurecendo a linguagem e escolhendo temas polêmicos e adolescentes, Felipe atingiu em cheio o público que mais cresce na rede – os jovens. De uma maneira que muitos chamam de óbvia, ele critica as modas adolescentes, que vão da paixão pela série Crepúsculo a bandas de rock como Restart e Hori. Em pouco tempo, seus primeiros vídeos tinham milhões de visualizações. Ele tem 700 mil seguidores no Twitter, ganhou o prêmio de WebStar no VMB (prêmio da MTV Brasil), foi entrevistado pelo Jô Soares e tem sua carreira cuidada pela mesma agência que cuida, por exemplo, de Marcos Mion. Um sucesso sem precedentes entre os famosos da web. Tudo isso em menos de seis meses.

O Repórter OutrOs OlhOs vai conversar pessoalmente com Felipe Neto e você poderá participar. Amanhã, faremos uma entrevista coletiva com ele em uma sessão de Twittcam às 21h45 e divulgaremos o endereço aqui. Participe!

por Gustavo Jreige / 28 Out

A capa da revista Trip desse mês traz uma das grandes musas da Internet, a blogueira Mirian Bottan. A reportagem sobre ela é assinada por Alexandre Inagaki, uma das figuras mais respeitadas e influentes da “blogosfera” (o mundo dos blogs) e do mercado de social media.

Nessa lista, você conhece mais sobre cinco blogueiros famosos ou renomados, escolhidos por relevância, influência, popularidade e também perfil. Não são, necessariamente, os 5 mais famosos, mas certamente estão entre eles.

Alexandre Inagaki

Jornalista por formação, Inagaki é blogueiro de longa data. Seu blog, “Pensar Enlouquece, Pense Nisso”, teve o primeiro post publicado em agosto de 2002. De lá para cá, além de contar com cerca de 125 mil visitantes por mês, o blog também ganhou prêmios como o de melhor blog em português no The BOBs, o mais importante do mundo, promovido pelo grupo alemão Deutsche Welle. Inagaki virou uma das principais referências do país quando o assunto é mídia social. É constantemente entrevistado pela imprensa, consta na lista das pessoas mais influentes e dá palestras pelo país afora (veja mais aqui). Seu blog e Twitter são um sucesso comercial. Inagaki também fundou, junto com os também blogueiros renomados Edney Souza, Ian Black e André Rosa, o Interney Blogs, um condomínio de blogs hospedado no portal IG. Hoje, ele planeja e realiza campanhas de publicidade em mídia social para diversas agências e empresas como consultor, além de escrever para veículos da imprensa. Alexandre Inagaki é uma das fontes dessa reportagem.

Carlos Cardoso

Uma palavra define o sucesso de Carlos Cardoso, do Contraditorium: polêmico. Em busca de audiência, Cardoso ganhou fama de blogueiro profissional – ou seja, aqueles que levam o ato de blogar como profissão e fonte de toda sua renda. Com um jeito sarcástico e um pouco mau humorado, Cardoso não foge de assuntos controversos e encarna a figura do cara chato da internet (procure por “chato” no link) e por isso mesmo ganhou fãs e popularidade.

Edney Souza

A fama de Edney Souza, o Interney (nome de seu blog), é de ser dono da internet. O programador de 34 anos criou, em 1997, uma página em que dava dicas de tecnologia. O objetivo era fazer com que os amigos parassem de ligar a cada dúvida de informática que surgisse. Em 2001, essa página foi transformada em blog e diversos conteúdos e ferramentas sobre o assunto foram sendo disponibilizados. Alguns deles, como o Blog FAQ, tornaram-se um grande sucesso, servindo, por anos, de base para todo mundo que criava um blog. Vendo a quantidade de visitas que seu blog tinha, Edney colocou um sistema de afiliados que pagava comissão por vendas realizadas através do site. Deu tão certo que, em 2005, ele largou o emprego e foi a primeira pessoa a viver do blog no país. De lá pra cá, tornou-se empresário, com diversos negócios envolvendo mídias sociais e blogs. Um dos principais especialistas da área, Edney trabalha a imagem de homem bem sucedido. Ele já fez declarações polêmicas sobre dinheiro à imprensa e cuida bastante de sua aparência, mudando assim a percepção de blogueiro nerd para homem de negócios. Hoje, além de palestrar por todo o país, é curador da Campus Party e uma das pessoas mais assediadas do evento.

Lia Camargo


Uma fã de Hello Kitty que criou um site para fazer bonequinhas virtuais, abriu um blog sobre o seu universo pessoal onde mostrava inclusive os produtos que gostava de consumir e, graças a isso, tornou-se designer do site da revista Capricho. Em linhas gerais, essa é a história de Lia Camargo, ou Lia Kitty, como ficou conhecida. Seu blog, Just Lia, tem 70 mil acessos por dia e traz conteúdos sobre o universo jovem feminino. “Gosto de passar uma imagem de que eu sou acessível e de que eu posso ser sua amiga amanhã. Quando alguém me reconhece na rua, fala que eu sou fofa e simpática. A webcelebridade é assim, mais acessível. Você não é realmente uma estrela, mas também não é uma pessoa comum”, disse ela à revista Pix, em julho do ano passado. A blogueira passou de Lia Kitty, designer da Capricho para Lia Camargo, editora do site da revista Gloss. Para isso, ela também virou mulher. Hoje, com 27 anos, além de “diva” teen, também é referência na web quando o assunto é moda e beleza, o que garante sua participação em diversas campanhas publicitárias.

Mirian Bottan


O nome de Mirian Bottan vem quase sempre associado à palavra musa – ela foi eleita a WebMusa de 2008, pelos leitores da revista Pix, e estrela a capa da edição de outubro da revista Trip com a chamada “A blogueira mostra por que está em todas as listas de musas da internet brasileira”. Seu blog, Substativolátil, traz crônicas saborosas sobre tudo que cerca a vida da moça. Mirian sabe aproveitar as oportunidades: desde 2007, ela já fez dezenas de campanhas publicitárias, figurou em um calendário na Playboy (veja), mudou de Americana, interior de São Paulo para a capital pauslita e começou a trabalhar em agências de mídias sociais.

por Gustavo Jreige / 27 Out

A não ser que um famoso descubra uma maneira de cruzar a barreira da web para os meios de massa, ele não pode ser considerado uma celebridade. Ao menos é essa a opinião do jornalista e pesquisador Alex Primo, que escreveu alguns artigos sobre o papel da internet na ‘celebrização’ de figuras de renome.

Para ele, a diferença principal entre os famosos virtuais e os famosos das mídias de massa – além, é claro, da dimensão dessa fama – é que os famosos tradicionais podem ser chamados de celebridades porque são eles mesmos um produto. “Para ser uma celebridade é fundamental ter uma personalidade que na realidade é uma grande máscara, uma construção, um mito”, explica Alex. “A celebridade é portanto uma mercadoria, ela própria, que se associa à indústria de bens e também à indústria cultural”, diz ele. É nesse contexto que as marcas buscam associar seu nome a uma celebridade e, principalmente, a essa máscara que ela representa.

Chamar webcelebridades de microcelebridades, para Primo, é um contrassenso. “É uma contradição. Não posso falar de celebridade, que é uma coisa massiva, como micro. Uma coisa nega a outra”, argumenta. “Convenhamos, não dá para dizer que essas ‘cibercelebridades’ de fato podem ser consideradas famosas. Por mais que a internet continue ganhando relevância e audiência junto à população brasileira, qualquer ator coadjuvante da novela das seis permanece sendo muito mais conhecido do que um usuário de Twitter com 100 mil followers que nunca apareceu na TV”, endossa o blogueiro Alexandre Inagaki.

Os dois concordam que é inegável que algumas figuras na Internet sejam, de fato, famosas. “Esse tipo de exposição, por mais ínfima que seja, de qualquer modo ajuda a abrir portas. Se a pessoa aproveitar isso para expor seus trabalhos e talentos que possa exibir, não duvido que consiga capitalizar esses reconhecimentos de uma maneira mais consistente. Mas, se ficar satisfeita só com esses holofotes que logo se apagam e viram abóbora depois da meia-noite, desaparecerá feito esses ex-participantes de reality shows que depois mendigam ajuda em programas vespertinos de fofocas e celebridades”, opina Inagaki.

Para ele, por maior que seja a fama de determinado sujeito na web, isso não faz dele uma celebridade no sentido original do termo. Primo faz referência ao sociólogo britânico Chris Rojek, autor do livro “Celebridade“, que traz classificações para as celebridades – como ser uma pessoa de renome em determinada área ou um celetóide.

“Celetóide é o desconhecido que ganhou notoriedade de uma hora pra outra porque ganhou na loteria, por exemplo. Daí toda mídia cobre essa pessoa, e depois ela some de novo”, explica Primo. “Essa fugacidade da fama é o celetóide, é uma celebridade como um factóide, que estoura e depois desaparece”, diz. Entram aí, por exemplo, a nutricionista Ruth Lemos, que ficou famosa por gaguejar durante uma entrevista ao vivo, e todos aqueles hits do Youtube, que são muito falados por um período e somem quase que por completo na sequência.

Como pessoas renomadas, classificam-se aqueles que se tornaram famosos em suas áreas de atuação e, portanto, se tornaram formadores de opinião. Não são celebridades, mas gente – como o empresário Edney Souza ou o cartunista Arnaldo Branco – que é conhecida e respeitada entre os interessados pelo tema, profissionais da mesma área e até por alguns outros usuários de internet. Mas só. Para ele, a Twittess no início não passava de uma figura renomada no Twitter. “Eu não posso comparar a Twittess daqueles primeiros momentos com a Twittess de hoje. Naquele primeiro momento ela tinha renome, era um perfil importante para as agências de publicidade, mas não posso comparar a primeira Twittess com uma celebridade”, diz Primo.

por Gustavo Jreige / 27 Out

O professor Alex Primo é um dos nomes mais indicados para falar sobre as nuances da fama virtual no país. Mestre em jornalismo pela Ball State University, ele dá aula no programa de Pós-Graduação da UFRGS e já escreveu artigos extensos sobre suas impressões e análises desse cenário de fama, sub-fama e, porque não, não-fama, que a internet possibilitou.

Conversei com Alex por telefone por mais de uma hora, durante a qual ele falou, entre outras coisas, sobre o fato de os métodos da fama na web não são tão diferentes do que sempre foram na mídia de massa. “No fundo, as estratégias não mudaram, o que mudaram foram os meios, que conseguem persuadir e atingir grupos muito mais segmentados. Mas a relação entre publicidade, agência, produto e audiência é a mesma”, explica.

Alex diz que a internet tornou mais fácil, para o marketing, chegar a grupos delimitados e encontrar líderes de opinião que pudessem veicular sua mensagem e vender seu produto. E que ser famoso na web ou na TV, de modo constante ou efêmero, não é o que importa para o modus-operandi dessa indústria de celebridades. “O que interessa são líderes de opinião do momento em que a campanha ocorrer, que falem agora e que vendam o produto agora. O quanto vai durar não importa, se é um celetóide, não importa. Importa se está despertando interesse hoje”, diz.

Ele falou sobre a diferença entre a fama virtual e a fama provocada por esses meios – na internet, o que chamamos de fama virtual é só um prestígio, um renome. “É interessante observar porque as pessoas têm essa necessidade de chamar qualquer pessoa de celebridade. A gente vive uma cultura de celebridade, que começa no século XX com o apogeu de Hollywood, e isso só se solidificou, ampliou o impacto dessas celebridades como heróis. Se no passado tínhamos heróis como Hércules, que deviam ser usados como exemplo de atuação, na pós-modernidade a gente percebe que nossos heróis são essas celebridades”, analisa.

Para Primo, os famosos virtuais, por vezes, replicam o que ele chama de “estratégias já validadas de sucesso”. “Essa é uma decepção no caso das mídias digitais. A gente achava que conseguiria, com os blogs, nas micromídias, se separar, se livrar dessas fórmulas fáceis da mídia de massa. O interessante é como a gente gosta e reproduz nessas micromídias as mesmas estratégias e as mesmas narrativas tipicas da mídia de massa. Então qual é a diferença do cara do YouTube e daqueles que estouraram na TV? O cabelo, as roupas e o linguajar seguem uma fórmula batida, mas que continua fazendo sucesso”, diz ele, que, em um de seus estudos, cita a construção do perfil da @twittess – um dos nomes mais conhecidos do Twitter, que entrou no Big Brother Brasil após o sucesso virtual. Na web, ela trazia elementos típicos da tipologia adolescente feminina, como um coração estilizado, além de fotos de uma bela e sorridente jovem, o mesmo tipo de imagem e de sonho que é vendido em outras mídias continua fazendo sucesso no ambiente virtual.

Primo desabafa: “É um pouco decepcionante, porque em vez de se explorar fórmulas absolutamente inovadoras, muitas vezes se recorre a fórmulas já batidas. Claro que isso agora acontece em outro suporte, mas se for perceber, tudo é meio parecido com o que sempre vimos: os cenários, os cabelos coloridos, o uso de óculos escuros pra falar no estúdio, as pessoas bonitas, o estilo nerd (ou o que está em voga na época), até a edição que é utilizada”.

Os artigos de Primo sobre a fama na web estão online, disponíveis em PDF. Clique abaixo para ler:

por Gustavo Jreige / 26 Out

Acabei de voltar de uma tarde com o PC Siqueira, um dos videologgers mais famosos do país, que, além do enorme sucesso virtual, tem contrato com a MTV, canal que exibe os vídeos que ele produz para web.

PC Siqueira no Shopping

Gravamos uma entrevista em vídeo, que você irá conferir aqui no blog semana que vem, e saímos para almoçar. O objetivo: ver se a fama virtual também para o mundo real, com ele sendo reconhecido fora da telinha do computador.

Antes de sairmos, ele já explica: “Normalmente sou abordado por adolescentes. As pessoas mais velhas reconhecem – e eu noto os olhares -, mas não vêm falar”. Fomos a dois shoppings (Higienópolis e Center 3), comer e tomar um café na Starbucks – cafeteria preferida de PC.

O primeiro shopping estava realmente vazio. Nosso almoço fora de hora – por volta das 15h – foi bem tranquilo, sem interrupções. Na mesa atrás da nossa, entretanto, um grupo não parava de olhar, rir e cochichar entre si. Depois do almoço, PC parou para comprar cápsulas de café para sua máquina (presente que recebeu da própria marca do produto). Na hora da entrega da sacola, o simpático vendedor: “Aqui está, PC” (e não Paulo Cezar, o nome grafado no cartão com o qual pagou a conta).

No caminho para o outro shopping, diversos olhares disfarçados. PC nem nota: “isso ainda não é normal para mim. Me acostumei a não olhar para os outros para não encanar”. Ele conta que, antes do sucesso no YouTube, costumava passar o dia todo na cafeteria, desenhando em seu sketchbook (ele é ilustrador por profissão), hábito que deixou de lado com o assédio.

Hoje, entretanto, nada além de olhares e feições de surpresa das pessoas que o reconheciam. Sentado, ele matou a saudade e conseguiu desenhar enquanto tomava seu café. “Nossa, quem dera fosse sempre assim”, diz ele, traumatizado por experiências anteriores em lugares muito movimentados – como o shopping Bourbon, por exemplo, no bairro da Pompéia, em São Paulo, que é bastante frequentado por jovens. No festival de música SWU, há algumas semanas, ele mal conseguiu assistir ao show de uma de suas cantoras favoritas, Regina Spektor, tamanho o assédio. “Fui só para vê-la, mas toda hora vinham pra cima de mim. Fui embora assim que o show acabou.”

Ele estava feliz com o dia atípico e calmo. Voltamos para sua casa, onde conheci a Lola, cachorrinha que sempre aparece em seus vídeos e que é realmente agitada. Nos despedimos.

Assim que saí, ele twittou que passou o dia comigo – o suficiente para umas 30 pessoas passarem a me seguir. No primeiro shopping, eu havia postado uma foto dele em meu Twitter – essa imagem que abre o post. Após seu twit, as pessoas entraram no meu perfil e acharam a foto, que, em 15 minutos, já tinha mais de 600 visualizações e quase 10 comentários.

Meia hora depois, outro twit, agora com o endereço da foto: “A minha cara do lado das cuecas http://twitpic.com/312zzy (via @gustavojreige)”. Em 5 minutos, eram mais de 2 mil views; em 30 (a hora em que posto esse texto, 19h50), a imagem já contabiliza quase 12 mil visualizações e 68 comentários.

Pois é. Pelo menos na web, nada de um dia sem PC Siqueira causar alvoroço.

PS: Fique ligado. Semana que vem você confere o vídeo com a entrevista!

por Gustavo Jreige / 26 Out

O jornalista Alexandre Inagaki é um dos principais nomes da blogosfera brasileira e está por trás de importantes projetos de mídias sociais. Seus feitos são cheios de superlativos.

Inagaki fez alguns cursos universitários, mas foi na web que encontrou uma carreira – e de muito sucesso. Em 2002, criou seu blog, o Pensar Enloquece, Pense Nisso. Com os textos saborosos, cheios de análises sociais e boas sacadas, acabou tornando o blog um dos grandes nomes na produção brasileira de conteúdo. Foi um dos criadores do InterNey Blogs, o mais importante coletivo de blogs do país. Hoje, é consultor em projetos de mídias sociais – já trabalhou para grandes empresas e agências de publicidade, tornando-se uma das grandes referências na área. Inagaki também é um dos curadores da área de blogs da Campus Party Brasil. Acompanha de perto tudo que acontece na web brasileira – e está por trás de várias dessas coisas. Isso tudo conciliado à reforma do apartamento que comprou há pouco.

Nessa entevista, realizada por E-mail, ele conta o que pensa sobre a fama virtual como um todo, inclusive aquela que o atinge.Abaixo, você descobre como funciona esse mercado na visão de alguém que o alimenta e diz:

Um blogueiro ou twitteiro conhecido ganha convites VIP para algumas festinhas ou eventos, um e outro jabá, (…) e não muito mais do que isso. (…) Se uma pessoa se deslumbra com esse tipo de coisa, lamento pela pouca ambição que ela nutre.

Gustavo: Como você vê a fama virtual?
Inagaki: A internet e as redes sociais promoveram uma espécie de varejização da fama. Vide o Orkut e aquelas estrelinhas que você dava para seus contatos por lá. Ainda é possível encontrar no Orkut, aliás, comunidades como “Escambo de Karma” e “Karma Para Todos”; bastava você ingressar em uma dessas comunidades e deixar recado em algum tópico para que pessoas que você nunca viu na vida tornassem-se fãs e amigos seus (e isso para não citar as comunidades de ghost writers de testimonials que já fizeram muito sucesso por lá).

Mas, convenhamos, não dá para dizer que essas “cibercelebridades” de fato podem ser consideradas famosas. Por mais que a internet continue ganhando relevância e audiência junto à população brasileira, qualquer ator coadjuvante da novela das seis permanece sendo muito mais conhecido do que um usuário de Twitter com 100 mil followers que nunca apareceu na TV. E esse cenário continuará assim por um bom tempo; afinal, enquanto a TV aberta abrange 99% do território brasileiro, a estimativa mais recente do eMarketer aponta que em 2010 a internet alcança só 35,9% da população brasileira, estimando que em 2014 essa porcentagem chegará a 47,6%. Há muito o que se percorrer ainda.

G: Você é um cara famoso dentro de um grupo. Essa micro fama é perceptível no seu dia-a-dia? Como ela se manifesta?
I: Nestes tempos de long tail, há a “fama” que dura 15 bytes. Ou as pessoas que são famosas para 15 pessoas, provocando efeitos bizarros como o fato de que, em determinados eventos como a Campus Party, pessoas me param para pedir autógrafos. Ok, já fui reconhecido andando na Oscar Freire ou na Paulista, mas a possibilidade disso acontecer é só em determinados lugares. Não creio que pessoas irão reconhecer minha estampa no Capão Redondo ou no interior de Mato Grosso.

G: Você acha que há algum tipo de benefício em ser algum tipo de webcelebridade se a fama não ‘vazar’ pra outros meios?
I: Um blogueiro ou twitteiro conhecido ganha convites VIP para algumas festinhas ou eventos, um e outro jabá, ingressos para cabines de filmes e não muito mais do que isso. Nada muito diferente do que jornalistas, amigos e parentes de artistas já não desfrutavam há tempos. Se uma pessoa se deslumbra com esse tipo de coisa, lamento pela pouca ambição que ela nutre.

Esse tipo de exposição, por mais ínfima que seja, de qualquer modo ajuda a abrir portas. Se a webcelebridade aproveitar isso para expor seus trabalhos e talentos que possa exibir, não duvido que consiga capitalizar esses reconhecimentos de uma maneira mais consistente. Mas, se ficar satisfeita só com esses holofotes que logo se apagam e viram abóbora depois da meia-noite, desaparecerá feito esses ex-participantes de reality shows que depois mendigam ajuda em programas vespertinos de fofocas e celebridades.

G: A internet aumentou o número de gente que pode ter alguma fama ou você acha que é só uma reprodução de um cenário de popularidade na vida real, que podia existir antes da web?
I: A web facilitou em muito esse processo de popularidade instantânea. É o miojão da fama na internet – bote um vídeo ridículo ou vexaminoso no YouTube, deixe ferver por 3 minutos no Twitter e blogs populares e pronto: temos um novo sucessor para ser a Katilce, a Aretuza, o André Arteiro, o Lidio Mateus, a guria do “safadeza oculta” (cujo nome já esqueci) da vez.

Sim, são fenômenos que ocorriam antes da web. Mas, do mesmo modo que blogs pulverizaram a criação de novos formadores de opinião que independem de coluna em revista ou jornal para terem um público fiel de leitores influenciados por seus posts, a internet faz com que essa nova geração de “famosos” independa de pagar mico em programa de auditório ou ser selecionado para comer minhocas num reality show para ganhar certo reconhecimento.

Ressalte-se, claro, que me refiro aqui ao lado infame da fama de internet. Há o outro lado da moeda também, de gente que usou a web para divulgar músicas, textos, ideias, vídeos, e graças à internet conseguiu reconhecimento sem precisar causar overdoses de vergonha alheia web afora. E aí cito André “Cardoso” Czarnobai, os Jovens Nerds, Susie Lau, João Paulo Cuenca, Mombojó, Eduardo Spohr, Lily Allen e Fábio Yabu como alguns dos trocentos exemplos que dá para elencar de gente talentosa que começou a divulgar seus trabalhos na internet, e hoje assina colunas em jornais, frequenta listas de best-sellers, faz shows concorridos e o escambau.