por Gustavo Jreige / 30 Ago
É praticamente impossível mudar-se de um país para outro sem confrontar-se com o choque cultural, como vimos nas histórias postadas na última semana. Contudo, existem cidades em que esse “fenômeno” parece ser menos efetivo.
As chamadas cidades cosmopolitas são aquelas que abrigam indivíduos de diversas nacionalidades e culturas que, na medida do possível e apesar de estarem fora de casa, sentem-se bem no local que adotaram como morada.
O melhor exemplo de um lugar cosmopolita, multicultural ou super-globalizado na atualidade é Toronto, no Canadá. A começar pelo nome: uma das origens da palavra Toronto é “lugar de encontro”.
Considerado o principal centro financeiro, industrial e bancário do Canadá, Toronto apresenta um amplo cenário cultural – que inclui teatros, museus, restaurantes e baladas –, além de ser uma cidade com um dos índices de criminalidade mais baixos do mundo.
Com tamanhos atrativos e considerada uma das cidades mais tolerantes do mundo, Toronto possui a segunda maior população, 49,9 %, que nasceu fora do país, perdendo apenas para Miami segundo dados do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas, de 2004. Na cidade canadense são falados mais de 100 idiomas e dialetos. Da população estrangeira, a maioria é composta por asiáticos, principalmente chineses.
Nós conversamos com a brasileira Lidi Faria, que passou três meses na cidade fazendo intercâmbio. “No metrô era até engraçado: você escutava mil idiomas… Eu ficava sempre orelhando as conversas, tentando entender algo, mas era coreano, espanhol… Tudo, menos inglês”, diverte-se. Clique aqui e leia a história completa, que postamos recentemente.
Outra localidade que atualmente destaca-se pelo multiculturalismo é Dubai, pertencente aos Emirados Árabes Unidos. Nada menos do que 83% dos 1,4 milhão de habitantes de Dubai são estrangeiros.
Dona de um visual futurista – devido, principalmente, a construções como a Burj Dubai, prédio mais alto do mundo – Dubai atraiu um grande número de estrangeiros durante o boom imobiliário por que passou de 2003 a 2008, quando os governantes locais resolveram investir no turismo de luxo como base econômica da cidade. Dubai tem uma mistura sem precedentes de ocidente e Islã. Terra de superlativos, a cidade possui hotéis, restaurantes e pessoas de todos os lugares do mundo.
Por lá, apesar de ser comum ver árabes do Golfo vestidos de acordo com a tradição islâmica, também é comum ver estrangeiros vestido com seus trajes usuais. A tolerância é maior do que nas demais cidades da região – o interesse em atrair investimento externo fizeram com que os traços mais conservadores da cultura local fossem deixados de lado.
Lembra da jovem Priscila Valavicius, do penúltimo post? Ela, que deixou o Brasil para se tornar comissária de bordo da Emirates, a gigantesca companhia aérea estatal, mora em Dubai desde 21 de junho de 2010 e é um exemplo de alguém que se adaptou facilmente a uma cidade justamente por ser essencialmente cosmopolita. “Dubai é mais liberal, porque eles investiram muito em turismo”, explica.
O multiculturalismo é favorecido justamente pelas boas condições de vida proporcionadas pela cidade e pelo fato dos estrangeiros terem liberdade para expressar sua religião e costumes no local.
“Se eles fossem tão rígidos, não seria permitido beber dentro de hotel. Muçulmano não come carne de porco, e ainda assim, supermercados têm uma área que vende carne de porco”, lembra, mencionando o hábito muçulmano de não consumir álcool que, em um país teocrata, acaba se transformando em proibição com consequências jurídicas. “Se Dubai pudesse ter cassino, seria igual a Las Vegas”.






