Se há fórmula infalível para projetar-se da modesta fama na web para a grande mídia? É improvável. “A gente vê que as grandes celebridades sempre seguem os mesmos passos. Põe silicone, posa na revista, ganha programa na TV, casa, descasa, tem casamentos curtos, escândalos. Mas não quer dizer que qualquer pessoa que põe silicone, aparece na TV ou que tenha algum escândalo vá ficar famosa”, diz Alex Primo, para a infelicidade daqueles que buscam a fama pela fama.
Mas é possível observar o caminho trilhado por pessoas que tiveram algum sucesso ao conquistar popularidade online e depois foram para a TV, para o rádio, para o cinema.
Para os que ficam conhecidos através dos vídeos, o trajeto até o sucesso online é normalmente parecido: primeiro o conteúdo publicado na web cai nas graças de um blogueiro de grande audiência, que replica o vídeo ou o texto por alguma característica que chame a atenção. Pode ser muito bom, muito ruim, tosco, engraçado, bem editado, com um bom roteiro, ter alguém bonito. Em seguida, as visualizações aumentam em progressão geométrica, viralizando.
Já para os blogueiros, twitteiros, moderadores de comunidade e outros líderes de opinião, o sucesso em suas áreas é o que determina – e, muitas vezes, não dependem da divulgação de ninguém já consagrado.
Em ambos os casos, o fim costuma ter a mídia interessada – em diferentes escalas, é claro. Dar entrevistas e sair em publicações de peso é um grande passo rumo ao estrelato fora da web.
Mas quem primeiro, no ciclo, reconhece nessas figuras um potencial comercial, geralmente, são as agências de publicidade especializadas em mídias sociais. É a primeira oportunidade daquela webcelebridade de, eventualmente, ganhar dinheiro com o material que produz, através de patrocínios de marcas oferecidos pelas agências, que identificam o sujeito como o porta-voz para algum produto.
Se expor, deixando claro seus diferenciais e carisma, são importantes para atrair mais público e, consequentemente, mais atenção. Toda a indústria da mídia está atenta ao que acontece na internet e tem interesse em cooptar estrelas da web para engordar suas grades, páginas, ou castings e atrair audiências novas, mais jovens. Caso o outrora webstar fique bem no vídeo, ele acaba contratado – mais comumente pela MTV, mas outras emissoras também já encaram o mundo online como um celeiro de talentos.
Nossos entrevistados concordam que o ponto em comum é fazer algo que dure – produzir algo relevante. Veja as opiniões deles sobre como chegar lá, na fama virtual, e como passar dela para o nível acima:
Phelipe Cruz, editor do site da Capricho e do PapelPop:
“Precisa fazer algo relevante, oferecer um conteúdo diferente. A Internet é uma vitrine, ela está aí te mostrando. Eu digo isso pras estelas teen da Capricho: use a internet, trabalha aí na Internet, não fica só no Twitter, não. Produz alguma coisa, faz alguma coisa pra entregar, porque ficar ‘oi tudo bom, olha eu aqui’ não é mais suficiente pra se destacar.”
Bruno Ferrari, repórter da revista Época e do blog Bombou Na Web:
“Tem espaço para tudo na internet. Há gente de talento, que se relaciona bem e por isso consegue se manter na lista das webcelebridades, freqüentar festinhas, ser chamado para campanhas, etc. Existe também quem vive de copiar formatos já existentes, mas com uma embalagem nova, o que não é ruim. A receita da fama na internet atual pode ser herdada da época dos blogs: é preciso fazer atualizações freqüentes, sempre estar de olho no que seu público – contatos, seguidores – estão falando sobre você e procurar se diferenciar das milhões de opções que os consumidores de conteúdo têm na internet.”
Maurício Cid, do blog NãoSalvo:
“Quem lança a fama não é um canal específico, mas o conjunto da obra. Meu critério principal de escolha é eu gostar de um vídeo. Eu priorizo o meu gosto porque se a pessoa visita o blog sempre é porque se identifica com o tipo de humor que eu curto. Se for algo que eu achei sem graça, as chances de eu colocar no ar são zero.”
Alexandre Inagaki, jornalista, consultor em mídias sociais e blogueiro do Pensar Enlouquece, Pense Nisso:
“Há o lado de gente que usou a web para divulgar músicas, textos, ideias, vídeos, e graças à internet conseguiu reconhecimento sem precisar causar overdoses de vergonha alheia web afora. E aí cito André ‘Cardoso’ Czarnobai, os Jovens Nerds, Susie Lau, João Paulo Cuenca, Mombojó, Eduardo Spohr, Lily Allen e Fábio Yabu como alguns dos trocentos exemplos que dá para elencar de gente talentosa que começou a divulgar seus trabalhos na internet, e hoje assina colunas em jornais, frequenta listas de best-sellers, faz shows concorridos e o escambau. Mas mesmo a fama de blogueiro, que recebe convites VIPs para a festa, é uma exposição que, por mais ínfima que seja, de qualquer modo ajuda a abrir portas. Se a webcelebridade aproveitar isso para expor seus trabalhos e talentos que possa exibir, não duvido que consiga capitalizar esses reconhecimentos de uma maneira mais consistente. Mas, se ficar satisfeita só com esses holofotes que logo se apagam e viram abóbora depois da meia-noite, desaparecerá feito esses ex-participantes de reality shows que depois mendigam ajuda em programas vespertinos de fofocas e celebridades.”
Por fim, não dá para não mencionar o alerta de Alex Primo: os manuais e as definições mais fracassam do que dão certo.
“A gente pode dizer que essa busca pela celebridade, pela fama, está mais para uma historia de fracassos. Poucos são aqueles que conseguem manter a fama. A fama é uma construção: manter-se na fama, por si só, já é um talento.”